Ontem de noite saí com uns amigos meus. Na verdade, daquele grupo de pessoas, um eu conheço praticamente a vida inteira, um eu conheço desde um dia regrado a bebidas e decepções amorosas de ambos os lados (apesar de que ele cortou o cabelo desde aquela época) e as outras pessoas eu conheço há poucas semanas, mas não quer dizer que eu já não chamo de amigos, parecem ser pessoas legais, são divertidas de sair.
Mas pra variar, eu tive de voltar pra minha ilha chamada cassino mais cedo pois o último ônibus é a meia-noite, quando vejo um scrap de um amigo meu no orkut pedindo pra eu adicionar ele no msn. Deixei de lado (eu sempre esqueço de adicionar as pessoas no msn..), mas quando ele me procura através de um amigo em comum pra conversar, vejo que algo aconteceu.
Não vou falar tudo, óbvio, pois foi uma conversa particular, mais um dentre todos os corações machucados desse mundo, e digo que até a pouco tempo, esse era o estado do meu coração também, não que eu tenha recém passado por um relacionamento, não, mas estava na fase de luto (psicólogo sempre arranja um jeito de falar os termos técnicos), entre aspas, estava pensando o que passei nesses últimos dois anos, tentando catar os pedacinhos e ver se dava pra recuperar algo do coração depois que eu colasse os pedacinhos que restaram. Só pra avisar, deu pra recuperar sim, bastante. xD
Mas fiquei impressionada pelo fato dele vir me procurar. Pois não era uma amizade longa, nem conversamos tanto assim, conheci ele quando trabalhei num projeto durante o verão (panfletagem afff...). Mas nesse pouco tempo, foi fácil um ler o outro, e ambos notarmos que um escuta bem se o outro quiser falar e visse e versa.
Fiquei pensando na sensação boa que é ser necessário. Eu não sou uma pessoa que me sinto necessária pela maioria das pessoas que conheço (sem ser, claro, parentes). Já cheguei há um dia imaginar como seria o meu enterro, não seria pra muitas pessoas, isso é certo, mas hoje em dia vejo que seria para poucos e bons amigos. Isso me deixa feliz.
Li há uns tempos atrás um livro que comprei quando estudava no primeiro grau do Bibiano de Almeida (lá pela 4ª série). Eu nunca entendi, mas a biblioteca do colégio às vezes vendia livros a 10 centavos (!) pra angariar fundos pra sei lá o que. Se chama Depois do Banquete, dum japa chamado Yukio Mishima. Li esse livro pra ler um romance escrito por um japonês e inserido na cultura, pra aprender um pouco sobre além-mar. Me deparo nesse livro com uma personagem que não possui nada além de suas propriedades e a si mesma (mas não fiquem triste por ela não), era dona de um restaurante bem sucedido, estava já nos seus 50 anos de idade, quando então se depara com a idéia de finitude. Se casa com um homem na casa dos cinqüentões também, este era ex-diplomata.
O interessante na história é o fato dela ficar feliz, não por seu casamento, mas pela idéia que este trouxe. Agora, quando ela morresse, seria enterrada no túmulo da família de seu novo marido, seria alguém. Essa idéia para ela era esplêndida, não se sentia mais sozinha, sentia que agora podia morrer, pois quando isso ocorresse, seu túmulo teria algum sentido, alguém choraria por ela, e flores seriam depositadas na sua lápide.
Penso mais ou menos assim. Somente uma coisa diferente: quero que no dia em que morrer, as pessoas chorem de tanto rir! Quero que lembrem das histórias engraçadas que contei, do meu bom humor, em piadas de português, nas bebedeiras que não me lembro, em tudo, menos que chorem de tristeza. Pode chorar de tristeza, mas depois do meu enterro, quando estiver pensando em como a vida é bela, como apenas uma entre tantas pessoas nesse mundo já se foi, e que não se foi chorando.
Acima de tudo, eu já disse: dancem em minha lápide! Mas uma dança engraçada, algo irlandês, sabe? Pode ser um samba, uma música eletrônica, mas dancem!
E sejam felizes, como eu tentei ser.
O meu enterro (na verdade, cremação) vai ter gás hilariante sendo distribuído na entrada e palhaços contratados para se apresentar. Também terá mímicos, que serão atirados ao fogo no fim da cerimônia, para alegrar ainda mais.
ResponderExcluirMEU DEUS!
ResponderExcluircomo não pensei nisso Oo
ta, vai ter dança e mímicos ao fogo.
Talvez eu seja enterrada em algum cosplay, pra ficar legal..
Eu quero um misto de alegria e tristeza no meu enterro. Não quero pessoas se atirando no chão, mas também não quero acrobatas com nariz de palhaço.
ResponderExcluirQuero apenas que lembrem dos meus bons momentos, e sintam na tristeza um pouco da melancolia que eu trago durante toda a minha vida. A tristeza dói, mas com ela percebemos que estamos vivos.