quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Vaias, aplausos e felicidade.

Ontem eu fui vaiada ao sair de um ônibus. Não é sempre que isso deve ocorrer com um ser humano, então resolvi que tinha que comentar com o resto do mundo.
Melhor ainda, fui aplaudida ao passar pela roleta. Isso me deixou profundamente feliz. Quantas vezes uma pessoa normal (que não trabalhe em teatro, ou seja cantora e etc e tal) é aplaudida? eu diria que poucas vezes. Talvez, se nunca mais trabalhar em nada que tenha a ver com palmas, uma ou duas vezes no jardim de infância ou na primeira série durante uma apresentação obrigatória e provavelmente bonitinha, onde os pais a cada passo pronunciam em uníssono um grande ÓUMMMMMMMMMM (esse não é um momento para esconder o orgulho que possuem por aquele pedacinho de gente que um dia foi um joelho).
Mas voltando a vaia, achei muitíssimo divertido sair de um ônibus sendo vaiada. O que me levantou a questão: quantas vezes na vida somos vaiados? (novamente, se você não trabalha em teatro e etc..até porque, se você trabalha e está sendo vaiado, desejo a você que a ficha caia logo).
Mas eu realmente fui além das simples vaias divertidas, pensei em quantas vezes alguém falou na minha cara que algo que eu estava fazendo não estava certo. Dependendo da pessoa tem que ter coragem pra fazer uma coisa dessas, amizades podem ser acabadas. Então esse post vai em homenagem as pessoas que sempre jogaram a merda na minha cara (GRAAAAANDEEE Andrade).
Mas agora sério, eu sou uma grande apreciadora da verdade nua e crua. Creio que a sinceridade é a melhor coisa pra se ter com uma outra pessoa. Quando se bota as armas à baixo e se relaciona com o outro (como diria Lacan na psicologia :P), a sensação de vulnerabilidade é incrível, intrigante e assustadora.
Assustadora pelo fato de que nós desenvolvemos essas armas pra nossa própria sobrevivência (no meu caso um trêsoitão), e agora chego eu e digo pra deixarmos pra lá essas mesmas armas que nos ajudaram a sobreviver nesse mundo caótico?! Bom, todos (ou quase todos) que eu conheço são maiores de idade e vacinados, então decidam por suas próprias cabecinhas. Mas tenho que dizer que tal "viagem" de crescimento vale o preço da passagem.
O que me trás novamente à viagem de ônibus mais divertida em tanto tempo (sem contar, é claro à viagem de ônibus na porta). Fui no ônibus com o excelentíssimo André, que gosta de séries, livros e de uma cultura nerd em geral que eu curto. Após passar uma parte da noite na livraria Vanguarda, tomar um café, ir ao "shopping" tomar um chimarrão e falar besteiras, a noite foi fechada com chave de ouro em 45 minutos de palmas, vaias e conversas sobre Seinfeld e comic books.
Meu dia acabou como acabou graças as sábias palavras de minha professora, proferidas no dia anterior. Ela mencionou o fato de nós nos sentirmos culpados por tudo que fazemos. Como exemplo vou me utilizar da situação que ela indicou. Precisando fazer um trabalho, mas sem ter saco pra fazê-lo, ela acaba gastando horas fazendo o tal trabalho de mal grado, no momento que ela diz: "quer saber, que se dane, vou tirar o dia pra fazer o que ei quero e depois trabalho", ela consegue, após fazer o que queria mas não se deixava fazer, terminar o tal trabalho que duraria horas em minutos. Fiquei com isso na cabeça. Quantas vezes fico me sentindo mal, fazendo coisas obrigada e pensando no que eu gostaria de estar fazendo.
Com isso em mente, após descer do ônibus em direção à faculdade (com uma tristeza por motivos pessoais), fui para a aula atrasada. Quando a professora põe no quadro questões para fazer em aula e eu noto que não faço idéia do que ela está falando eu decidi: vou tirar o dia de folga.
Um dos melhores dias da semana, certamente. Vanguarda, palestra sobre cultura gaúcha, café, shopping, chimarão, amigos (otakus, nerds e afins). eu estava sériamente precisando de um dia para descarregar, e imaginem só: cheguei em casa e estudei a matéria das tais questões!
Por isso minha gente: MATEM AULA (na medida certa). Seu dia pode acabar em palmas, vaias e felicidade, como o meu.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Mais um dia como outro qualquer..

Ela estava atrasada. Como sempre, estava atrasada. Ninguém mais sequer ligava para o fato dela estar atrasada, somente ela mesma. É um sentimento de culpa que ninguém deveria sentir, afinal, é uma das culpas mais idiotas que você poderia sentir (fala sério...se sentir culpado por faltar a aula? se sinta culpado por não ter ido à Disney, ou por não ter tempo suficiente pra ler TODOS os livros do mundo, mas certamente não sinta culpa por matar aula).
Ela entrou abruptamente no ônibus com a mente no que estava perdendo, ela não tinha certeza da aula que estava perdendo, mas que se dane também, afinal, já estava perdendo mesmo.
Ela notou que todos no ônibus olhavam pra ela. Devia ser o fato de estar vestida com um colete meio brilhante e por baixo uma blusa "cor-sim-cor-não", um estilo meio chamativo para uma cidade como a que ela vive. Na realidade ela notava que quase tudo que ela usava era bem chamativo para uma cidade como a que ela vive!
Ela se senta então em um dos assentos disponíveis no ônibus. Olha a sua volta, escuta calmamente a sua música. O ônibus então subitamente fica lotado, aquele horário é normal lotar o ônibus, mas devido ao monopólio, ninguém podia falar muita coisa...somente reclamar pro motorista e pro cobrador, como se eles nunca sequer tivessem ouvido algo do gênero.
Ela nota a impossibilidade de descer antes da parada que ela pretendia (já que estava atrasada, ia fazer uma visitinha ao pessoal de outros cursos).
As pessoas começam então a descer do ônibus, ela não consegue, com seu pouco mais de um metro e meio, se sobressair no meio de tanta gente.
Uma senhora é a última em sua frente com uma criança a sair. Por causa da criança ela leva um pouco mais de tempo. Ela aguarda impacientemente para descer.
Eis que quando chega à porta, a senhora, munida da criança, vira e senta em um dos assentos livres perto da porta. "Filha da..", ela pensa, e caminha um pouco mais rápido em direção a porta de saída do ônibus.
Porém, já é tarde demais: o cobrador já havia apertado o botão, sinalizando ao motorista para que feche a porta. "Vai dar!", ela pensa, aparentemente não conhecendo a velocidade que uma porta de ônibus fecha, mesmo freqüentando um desses diariamente nos últimos 5 anos.
O que ela mais temia ocorre: a porta do ônibus subitamente fecha no meio de seu tórax. O braço direito, a cabeça, a perna direita e metade de seu peito para fora. O braço esquerdo, a perna esquerda e metade de seu peito para dentro do ônibus.
"Hmmm", ela pensou. Mas falou: "ah, merda". Realmente não havia gostado muito da situação, na verdade nunca sequer havia imaginado essa situação.
Ela começa então a bater insistentemente na porta com a única mão que possuía para fora do ônibus. Após algumas batidas desiste, começa a murmurar desaforos para si mesma: "só comigo mesmo.." é uma das coisas que mais repete. Vê então que do lado de fora no ônibus há somente uma pessoa na parada. Um jovem que olha meio perplexo com a situação. Sem ter mais o que fazer, ela abana com a mão que possui fora do ônibus para ele, e diz "Oi". Nunca havia imaginado a situação, e muito menos que abanaria e daria um "Oi" brincalhão para um desconhecido, lembrou que se fossem em outras épocas, sairia vermelha e com vergonha de si mesma, que bom que não mais é aquela pessoa!
Quando finalmente o motorista escuta os apelos das pessoas que estão dentro do ônibus presenciando a cena toda, ele resolve, aparentemente por bondade, abrir a porta.
Ela é subitamente jogada do ônibus, tendo em vista que já estava metade pra fora, ela simplesmente continuou o trajeto que estava sendo desferido por seu corpo.
Ela se vira e vê a cara atônita dos passageiros do ônibus, dava pra sentir a perplexidade no olhar deles se perguntando "será que ela está bem?". Mas sim, ela estava bem. Melhor ainda agora que a sua liberdade dada pela constituição estava novamente assegurada, ela ergueu sua mão para os passageiros do ônibus que aos poucos estavam indo juntamente com o ônibus e disse: "valeu" (um valeu bem sarcástico, eu diria). Obviamente que esse valeu não foi para os passageiros, foi para a personificação que agora o ônibus possuia, uma personificação engraçada, mas não necessariamente boa.
Quando ela se virou, viu que o jovem que antes olhava perplexo, agora possui em seu rosto estampado claramente uma mensagem que pode apenas ser traduzida pela frase "Que merda, hein?", misturado com um sarcasmo e um sorriso de deboche.
Ela capta a mensagem e ao passar por ele, sorrindo da situação diz: "Que merda, hein?" e sai a passos largos rindo da situação. O jovem desaba rindo.
O resto do dia ela tem problemas para se concentrar. Não que ela já não os tenha normalmente, mas o rosto das pessoas fica estampado em sua mente. Ela lembra de olhar se o colete não havia sido danificado, tendo em vista que nem pago ele ainda estava (somente meses depois conseguiu pagar o colete ao amigo que pagou pra ela na hora que o cartão “se recusou” a passar na loja). Mas agora somente uma coisa lhe vem à mente junto de um sorriso: "legal..."

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

DBW 4: Hoje TAMBÉM é dia de poesia xD

Paixão

Esses olhos tão profundos
escondem a pureza da vida.
Desejo carnal, eu diria,
de me afogar nessas lágrimas
de puro gozo.
De me deliciar nessa pele,
de obter tudo que a carne pode oferecer.

Depois, te digo tudo de banal.
Escondo a poesia desse momento.
Mas tu sabes.

Então te vejo dormir.
Não há nada mais lindo do que isso.
Esqueço por um segundo a loucura do mundo.

Um carro buzina lá fora.
É o mundo tentando invadir tanta perfeição.

Acordas e vais embora.
Mas não me preocupo.
Sei que voltarás.

Talvez não na mesma carne,
talvez não no mesmo corpo.

Mas voltarás.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

DBW3: Isso dá blues!

Ontem eu acordei feliz. Tomei meu café com leite, feliz. Fui correr feliz. Tomei banho feliz. Almocei feliz. Li o texto de Psicologia Humanista, feliz. Vi Chobits feliz. Peguei o ônibus, feliz (neste caso usei a vírgula se não pode parecer que o tal “ônibus feliz” é uma gíria pra alguma droga xD). Foi aí que me toquei de que eu REALMENTE estava feliz.
Pra alguém lendo esse post, deve estar pensando que sou no mínimo uma retardada, mas é que a felicidade me foi estranha até a poucos anos atrás. Eu estava conversando com um amigo otaku esses tempos, dizendo que não conseguia mais escrever poesias, porque eu só as escrevo quando estou triste, e fazia tempos que eu não estava mais triste. Ele disse que com ele ocorria a mesma coisa.
Na hora em que eu estava no ônibus, escutando Simple Red (é, eu GOSTO de velharias e de música BOA), é que eu comecei a notar: o dia estava lindo. Mas não era qualquer lindo. Era LINDO. Peguei o ônibus das 5h, então o sol estava numa posição que privilegiava a iluminação das nuvens e árvores que tem no caminho entre a furg e o cassino. Era um cenário deslumbrante. Comecei a sentir que meus olhos estavam prestes a derramar uma lágrima, sem entender direito, depois que fui notar, eram lágrimas de felicidade!(ou talvez fosse por que também lembrei do vídeo que aquele mesmo otaku me mandou esses tempos...choro quase sempre que me lembro desse vídeo..) Quem me conheceu sabe que mudei muito nesses últimos 3 anos, foi uma jornada árdua, mas que valeu cada momento. E só agora, que estou com a minha vida nos trilhos que me liguei do que realmente é feita a felicidade: de pequenas coisas.
Ontem eu sonhei acordada. Fazia tempos que eu não fazia isso. Sonhei com os amigos, as coisas legais que vem acontecendo, pessoas que vim conhecendo (algumas melhor) nesses últimos anos, esses pequenos momentos de felicidade. O que me fez pensar: por que diabos uma pessoa que está tão feliz assim está fazendo um Depressive Blog Week?
Acho que a resposta pra essa pergunta é bem simples: pra não esquecer o que passou. As pessoas podem me dizer que o que passou, passou. Pois as coisas não são bem assim (putesgrila, eu faço psicologia, eu SEI que não é bem assim que funciona). As coisas que passaram, por mais que algumas nós não queiramos, fazem parte do que nós somos, seja um ex-namorado(a) (durante uma festa, descobri que falar de relacionamentos se torna mais fácil e prazeroso se você utilizar pedaços de papel pra simbolizar as pessoas, tente, é divertido!), um pai ausente, um parente que se foi, um cachorrinho que se foi (toquinho, era o nome dele =~~ ), não interessa. O indivíduo é parte de seu meio e de suas relações, e vice-versa, estamos em constante mudança, mas o passado arranja sempre um jeitinho de fazer parte de nós.
Por isso, de tempos em tempos eu faço questão de parar um pouquinho e lembrar das coisas boas e ruins que aconteceram, acho que eu me sinto mais viva assim, lembrando de tudo que eu passei, que eu sobrevivi, enquanto alguns não tiveram tanta sorte. Acho que a maioria das pessoas são felizes e só se dão conta bem depois, tipo como eu fiz ontem.
Pode parecer que são exemplos toscos, mas esses tempos eu soube de um conhecido meu que a filha “tá na pedra” como se diz (ô expressão de baixo calão), minha mãe me contou que na fisioterapia dela, tem uma mulher que está com câncer em fase terminal (sem contar que também esta possui uma bebezinha pra cuidar de apenas 6 meses..é de cortar o coração). Não consigo nem imaginar o que essas pessoas estão passando, e dou graças a deus por isso. O que me faz pensar, quantas vezes eu xingo meu irmão ao invés de dizer que eu amo ele (se bem que pra nós xingar é dizer eu te amo), minha mãe também, e meu pai então! Os amigos também..não é sempre que dou o devido valor a eles, por isso que ontem saí abraçando forte o André (ele gostou =D).
Falo isso, por que esse está sendo o pior e o melhor ano da minha vida. Está sendo um ano pra se pensar sobre. Primeiro tive decepções, amorosas e com amigos também..Ano passado tive que ver minha mãe cair da escada da Renner (foi um dos piores momentos da minha vida..ver a agonia no rosto de minha mãe..não recomendo essa sensação de impotência, ela ainda ta se recuperando). Perfurei o tímpano DENOVO (uma das piores dores da minha vida!) e graças ao remédio que usei pro tímpano fiquei MUITO mal, nunca havia passado tão mal em toda a minha vida. Descobri que não posso mais fazer como antigamente uma das minhas paixões, correr, pois tenho um nervo no pé que sempre dá problema (chorei pra caralho quando descobri do pior jeito possível isso... =~~ ). Tudo esse ano... Mas tamo aí!
Ah sim...e um cachorro me mordeu ontem..isso dá blues xD

terça-feira, 8 de setembro de 2009

DBW 2: Hoje é dia de poesia!

Sonho Maravilhoso

Hoje eu acordei pensando,
lembrando de ti, sonhando contigo.
Tentando saber por que parti
do teu coração.

Lembrando de tempos que
só em meus sonhos agora existem.

Acho que só eu não reparei
que o que era bom pra mim
não era pra ti.

Mas como meu Deus?
Como te tirar das minhas veias,
onde há muito navegas,
tentando fugir
do meu coração?
Mas sempre voltas pra ele..
Sempre renova essa paixão a cada ciclo.

Teus olhos, teu olhar
Ah! esse teu olhar!
Ainda me facina mesmo que não
seja pra mim esse teu olhar.

O mundo todo conspira contra mim,
só pode ser!
Abro a boca pra falar contigo
mas as palavras se recusam a sair!
Ficam entaladas na garganta,
corroem meu interior.

Como posso saber
no fundo do meu ser
que eu fui feita pra ti,
e você pra mim,
mas não conseguir te provar?

Como pode haver prova maior
do que a sensação do sangue
fervendo quando te vejo?
Esse calor é tu,
mais uma vez mostrando ao mundo
que pulsas em minhas veias.

Talvez me jogue nas drogas,
pra esquecer.
Talvez me jogue nos sonhos.
Talvez um dia deixe de amar..
Mas prefiro continuar nos sonhos.
Lá ainda és meu.
E nunca deixará de ser.

Mas a realidade é dura.
Não és meu.
Mas algo me diz que um dia serás.
Enquanto isso, só posso dizer:
Ah! que sonho maravilhoso
que tive essa noite!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

DBW: O que só um olhar faz.

Às vezes queria saber o que se passa na mente das pessoas. Mas como aquela propaganda de cerveja (não me perguntem qual cerveja, não faço idéia), melhor não. Prefiro realmente viver nessa fantasia. De ficar imaginando o que o outro está pensando.
Como é legal sentir aquele olhar, sentir que pode te decifrar por inteiro e ter medo disso. Ficar imaginando, será que ele sente a mesma coisa quando eu retribuo com o mesmo olhar? (Ah, mas eu to uma pré-adolescente apaixonadinha hoje.)
Quando eu conheço uma nova pessoa, eu tento sempre dar uma decifrada na pessoa somente em olhar pra ela. Eu realmente penso que os olhos são as portas da alma, por isso geralmente não encaro as pessoas nos olhos, mas quando recém conheço uma pessoa, tento vasculhar a alma dela. Apesar de que eu acho que o primeiro encontro com uma pessoa realmente não é o suficiente pra saber o tipo de pessoa que ela é, tem umas sensações que ocorrem no primeiro encontro que você simplesmente sabe que pode tomar aquilo como uma verdade. Sendo que no mundo, são poucas as coisas que podem ser tomadas por verdade.
As poucas verdades são: um dia você nasceu; um dia você vai morrer; pelo menos uma vez você vai se apaixonar; pelo menos uma vez você vai sofrer de amor (ou ter um péssimo relacionamento que te faz questionar quase tudo a tua volta); pelo menos uma vez você vai querer que algo nunca tivesse acontecido; pelo menos uma vez vai querer não ter dito algo; pelo menos uma vez vai se decepcionar com um amigo (talvez até perder algum); pelo menos uma vez vai perder alguém muito querido pra você; pelo menos uma vez vai decepcionar alguém; pelo menos uma vez vai desejar nunca ter se apaixonado; pelo menos uma vez vai desejar que suas lágrimas secassem mais rápido, mas depois vai entender que é só com o tempo; pelo menos uma vez vai notar que tudo que sofreu valeu de algo e pelo menos uma vez vai se sentir muito sozinho nesse mundo.
Felizmente, ou infelizmente, o ser humano não existe por si só. A probabilidade de um de nós viver sozinho em uma ilha deserta é ínfima. Então parta do princípio que essa lista aí em cima deve acontecer mais cedo ou mais tarde.
Sendo assim, ainda queria saber o que se passa na mente das pessoas (mas sei que é melhor não). Será que essa lista já foi cumprida? Será que ela sente o mesmo que eu? Será que passou pelo mesmo que eu passei? Será que precisou algum dia de um ombro amigo e não encontrou? Será que sente o mesmo medo de se sentir vulnerável com um só olhar alheio? Eu sei que eu sinto...mas nunca deixo de olhar nos olhos das pessoas pelo menos uma única vez na vida.

domingo, 6 de setembro de 2009

DBW 1: Acima de tudo, dancem!

Ontem de noite saí com uns amigos meus. Na verdade, daquele grupo de pessoas, um eu conheço praticamente a vida inteira, um eu conheço desde um dia regrado a bebidas e decepções amorosas de ambos os lados (apesar de que ele cortou o cabelo desde aquela época) e as outras pessoas eu conheço há poucas semanas, mas não quer dizer que eu já não chamo de amigos, parecem ser pessoas legais, são divertidas de sair.
Mas pra variar, eu tive de voltar pra minha ilha chamada cassino mais cedo pois o último ônibus é a meia-noite, quando vejo um scrap de um amigo meu no orkut pedindo pra eu adicionar ele no msn. Deixei de lado (eu sempre esqueço de adicionar as pessoas no msn..), mas quando ele me procura através de um amigo em comum pra conversar, vejo que algo aconteceu.
Não vou falar tudo, óbvio, pois foi uma conversa particular, mais um dentre todos os corações machucados desse mundo, e digo que até a pouco tempo, esse era o estado do meu coração também, não que eu tenha recém passado por um relacionamento, não, mas estava na fase de luto (psicólogo sempre arranja um jeito de falar os termos técnicos), entre aspas, estava pensando o que passei nesses últimos dois anos, tentando catar os pedacinhos e ver se dava pra recuperar algo do coração depois que eu colasse os pedacinhos que restaram. Só pra avisar, deu pra recuperar sim, bastante. xD
Mas fiquei impressionada pelo fato dele vir me procurar. Pois não era uma amizade longa, nem conversamos tanto assim, conheci ele quando trabalhei num projeto durante o verão (panfletagem afff...). Mas nesse pouco tempo, foi fácil um ler o outro, e ambos notarmos que um escuta bem se o outro quiser falar e visse e versa.
Fiquei pensando na sensação boa que é ser necessário. Eu não sou uma pessoa que me sinto necessária pela maioria das pessoas que conheço (sem ser, claro, parentes). Já cheguei há um dia imaginar como seria o meu enterro, não seria pra muitas pessoas, isso é certo, mas hoje em dia vejo que seria para poucos e bons amigos. Isso me deixa feliz.
Li há uns tempos atrás um livro que comprei quando estudava no primeiro grau do Bibiano de Almeida (lá pela 4ª série). Eu nunca entendi, mas a biblioteca do colégio às vezes vendia livros a 10 centavos (!) pra angariar fundos pra sei lá o que. Se chama Depois do Banquete, dum japa chamado Yukio Mishima. Li esse livro pra ler um romance escrito por um japonês e inserido na cultura, pra aprender um pouco sobre além-mar. Me deparo nesse livro com uma personagem que não possui nada além de suas propriedades e a si mesma (mas não fiquem triste por ela não), era dona de um restaurante bem sucedido, estava já nos seus 50 anos de idade, quando então se depara com a idéia de finitude. Se casa com um homem na casa dos cinqüentões também, este era ex-diplomata.
O interessante na história é o fato dela ficar feliz, não por seu casamento, mas pela idéia que este trouxe. Agora, quando ela morresse, seria enterrada no túmulo da família de seu novo marido, seria alguém. Essa idéia para ela era esplêndida, não se sentia mais sozinha, sentia que agora podia morrer, pois quando isso ocorresse, seu túmulo teria algum sentido, alguém choraria por ela, e flores seriam depositadas na sua lápide.
Penso mais ou menos assim. Somente uma coisa diferente: quero que no dia em que morrer, as pessoas chorem de tanto rir! Quero que lembrem das histórias engraçadas que contei, do meu bom humor, em piadas de português, nas bebedeiras que não me lembro, em tudo, menos que chorem de tristeza. Pode chorar de tristeza, mas depois do meu enterro, quando estiver pensando em como a vida é bela, como apenas uma entre tantas pessoas nesse mundo já se foi, e que não se foi chorando.
Acima de tudo, eu já disse: dancem em minha lápide! Mas uma dança engraçada, algo irlandês, sabe? Pode ser um samba, uma música eletrônica, mas dancem!
E sejam felizes, como eu tentei ser.

sábado, 5 de setembro de 2009

MA COMO??

Como pode uma pessoa continuar sua pacata vida sem saber quem é o Dr. Spock? Ou pelo menos ouvir falar dos klingons? Ou pelo menos ter visto uma vez na vida Dragon Ball (pode ser o Z)? Ou Yu Yu Hakusho (pode ser Shurato também, ou Cavaleiros do Zodíaco)?
Como pode continuar vivendo sem ter lido Death Note? Sem ter visto Senhor dos Anéis? Sem ter comido um único cookie? Ou sem ter sido alvo de olhares por tentar converter alguém no shopping munido de cookies gritando: Come to the dark side, we have cookies?
Como pode alguém continuar sua reles existência sem ter visto algum filme do Batman (QUALQUER filme do Batman, melhor seria se visse o The Dark Knight), ou do Homem Aranha (pode ter lido)? Ou visto Spaceballs (S.O.S. Tem um maluco solto no espaço) ou Drácula Morto Mas Feliz, que passava na seção da tarde? Ou qualquer coisa do Monty Python? Ou Ace Ventura pelo menos...
Como pode alguém não ter visto Uma Família da Pesada (Family Guy)? Ou Simpsons. Não ter visto Pokémon...POKÉMON!!!!! Meu deus...
Como pode alguém não ter uma camiseta com alguma frase engraçada? Não ter um bichinho de pelúcia diferente (um Agumon, ou um urso que tem um capuz de girafa).
Como pode alguém não ler? COMO?? Alguém me explique!! Como pode alguém não conhecer os livros do Terry Pratchett (tá, quase ninguém conhece, na real)? Como pode alguém não ler quadrinhos? QUALQUER quadrinho! Pode ser DC, Marvel, pode ser um mangá aleatório...
Como pode as pessoas não se vestirem como gostam? Realmente não acredito que todas as pessoas gostam de se vestir da mesma maneira (mas é o que mais vejo por aí, até ano passado eu chamava de “geração ralabela”)... E como pode não ter um chapéu? UM chapéu sequer, pode ser qualquer um, até boné serve.
E como pode alguém nunca ter ido numa rave e curtido até o amanhecer a batida maluca, aquela vibe louca, que só quem vai e curte uma rave sabe?
Pequenas questões que me tomam diariamente.
Se você se identificou com esse post, bom pra você, não precisa ter feito TUDO isso, afinal, ninguém é perfeito, ó reles mortal. Mas se fez a maioria, pode ter certeza que viveu, e viveu sabiamente.
E tendo em vista o teor melancólico dessa postagem, e o fato de que estarei na semana que vem recebendo via correio o quadrinho Watchmen, edição definitiva (o que quer dizer que a melancolia não mais tomará esse corpo durante 460 páginas), resolvi fazer essa semana mesmo (enquanto tenho material melancólico), a Depressive Blog Week. Para quem não sabe, a idéia foi altamente plagiada do Cyanide and Happiness, uma tirinha que leio diariamente.
Não sei bem o que vai sair nos próximos dias, mas provavelmente farei uma seleção de 7 poesias em tom mais melancólico e de minha autoria. Sei lá, alguma porcaria deve sair, mas sou só uma reles otaku, tentando o melhor que pode nesse mundinho.
Vida longa e prospera.
E ciaossu (pra quem lê Katekyo Hitman REBORN!).

Loucuras desse universo

Seu nome é Julio César, sem acento no primeiro nome. Diferentemente da “celebridade” que lhe dá a alcunha, ele não era tão famoso assim. A não ser em situações em que o ônibus quebrava – geralmente era criticado veementemente pelos passageiros, claro que esta é uma maneira delicada de dizer que o chamavam de palavrões diversos -, ou se os passageiros eram obrigados a trocar de ônibus, ou se o motorista esquecia de parar em alguma das paradas – pelo fato do motorista estar longe, não tem tu, vai tu mesmo.
Ah, sim! Já mencionei que ele é cobrador de ônibus? Pois é, numa empresa de uma cidade do interior do melhor estado em que há pra se viver (:P), mas onde aparentemente o significado de monopólio está a anos-luz de chegar aos ouvidos de seus habitantes.
Mal sabia ele que estava sendo observado. Afinal, porque pensaria isso? Tá bom, ele não era o último na escala da evolução no quesito beleza. Mas no antepenúltimo certamente deveria estar. Claro que não ganharia nenhum concurso de beleza, mas por algum motivo, a pessoa que o observava, pensou por um segundo, que o aceno de mão para tal concurso, ele saberia exercer com precisão. Ele continuava então sua vida, uma hora se certificando se o troco de um passageiro estava correto, outra hora lendo seu Informativo de Imóveis, que certamente devia ser muito informativo, pela maneira em que ele devorava cada linha daquele pequeno jornal gratuito.
Pois sim, ele estava sendo observado, mas não era por um ser humano qualquer, mas sim por uma otaku, ou assim podemos presumir, talvez por sua obsessão em acessórios de animes - talvez não tão famosos para que qualquer reles mortal saiba do que eu estou falando, somente para bom conhecedor de tal loucura de além-mar. Talvez fosse somente mais uma nerd, pela sua apologia a essa categoria por muito tempo considerada de subumanos, simbolizada pela camiseta com os dizeres “Nerds Do It Better” – o que levanta a questão: O QUE eles fazem melhor? -, ou pelo fato de poder ser a única em todo ônibus a reconhecer que o cara a seu lado está com uma sacola cujo conteúdo diz Watchmen, e ficar entusiasmada com isso.
Porém, o que ela observava não era a “beleza exótica” do cobrador, mas da ironia implícita em seu nome, e na grandiosidade a muito carregada por tal nome durante tanto tempo, simplesmente para acabar nesse homem em particular. E o imperador, se foi enterrado, provavelmente esta há no mínimo 35 anos (idade estimada do nosso “julinho”) se revirando no túmulo.
Ela estava atrasada para a aula novamente. Dava para sentir o atraso transbordando em forma de suor – e por ser um dia quente -, quando ela arranca de seu bolso um pequeno relógio de bolso na cor prata. A curiosa frase “Don’t Forget 3. Oct. 11” brota de dentro do relógio, tendo uma provável história por trás, mas que a maioria dos mortais está nem aí – a não ser para o curiosa fato de uma jovem possuir um relógio de bolso.
Uma sensação a toma, seguida de um simples pensamento: “esse ônibus vai estragar”.
Um sorriso surge em seus lábios. Lembrou do fato de estar em um CASSINO – C. NOVA. Da última vez em que estava nesse mesmo ônibus, nesse mesmo horário, esse mesmíssimo ônibus estragou, lhe causando um atraso ainda maior. O estorvo somente não foi maior, pelo fato de encontrar uma amiga no ônibus. Mas não qualquer amiga, esta era um ser alegre, divertido, espoleta, amigo de todos emos e derivados da pequena cidade em que vive e com uma história para maiores de 18 anos nessa relação mútua de amizade.
Um pensamento lhe ocorreu: “Imagina que engraçado seria se ela estivesse aqui? Capaz do ônibus estragar mesmo.” A risadinha persiste em seu rosto.
E fatalmente, a tal amiga estava no ônibus. As estrelas deviam estar alinhadas nessa hora, pois o ônibus quebrou. E lá estava a tal amiga, tendo de sair também do ônibus quebrado. E óbvio que ambas riram desse fato.
Após subir no “novo” ônibus, um pensamentozinho, bem pequenininho passou de raspão pela sua mente: “pelo menos não tenho mais que olhar a cara do ‘julinho’”. Quando desceu na parada a questão lhe veio à mente: será para o universo a combinação Lívia + ThaTha + CASSINO – C.NOVA demais?
Agora é só esperar a próxima loucura do universo.