Ao me encontrar impossibilitada de ir para casa, me peguei examinando meus cadarços. São uma metáfora para minha vida: inconstância. Foi essa a conclusão que cheguei. A única possível, eu diria.
A falta de perfeição com que foram entrelaçados me cravou o peito. Eram desalinhados, não seguiam um só ritmo: uma hora por cima, outra por baixo, indo e vindo a bel prazer. Sem contar com o nó duplo que é necessário para que o laço se mantenha! A necessária contenção da loucura.
E essa loucura só é contida em situações hipnóticas. Enquanto mexo a colher na xícara de café, me transporto para outra dimensão, só voltando quando sou chamada à atenção. Uma interação bonitinha, alguns diriam, mas em realidade, um sofrimento constante de conseguir empilhar os tijolos de um inconsciente em fragmentos. Fazer uma atividade, qualquer que seja, põe essa loucura um pouco mais em linha reta. Enquanto lavo a louça, penso em minha existência, tiro conclusões mirabolantes, idéias inusitadas. Tudo enquanto lavo a louça. Em silêncio. Sempre.
Bah, Thais...mto show!!!! Uma delícia de ler. Sigo-te! Super bjo ;)
ResponderExcluirPra mim é no banho... Bah... auto-análise no banho é pra matar... Meus cadarços seguem um padrão nos tênis... só o nó que é meio feito à moda louca...
ResponderExcluir"Sem contar com o nó duplo que é necessário para que o laço se mantenha! A necessária contenção da loucura." "Fazer uma atividade, qualquer que seja, põe essa loucura um pouco mais em linha reta." Empatia instantânea.
ResponderExcluirMuito bom, comigo, quando estou fazendo qualquer trabalho manual automático, é assim também...
xD