Ao me encontrar impossibilitada de ir para casa, me peguei examinando meus cadarços. São uma metáfora para minha vida: inconstância. Foi essa a conclusão que cheguei. A única possível, eu diria.
A falta de perfeição com que foram entrelaçados me cravou o peito. Eram desalinhados, não seguiam um só ritmo: uma hora por cima, outra por baixo, indo e vindo a bel prazer. Sem contar com o nó duplo que é necessário para que o laço se mantenha! A necessária contenção da loucura.
E essa loucura só é contida em situações hipnóticas. Enquanto mexo a colher na xícara de café, me transporto para outra dimensão, só voltando quando sou chamada à atenção. Uma interação bonitinha, alguns diriam, mas em realidade, um sofrimento constante de conseguir empilhar os tijolos de um inconsciente em fragmentos. Fazer uma atividade, qualquer que seja, põe essa loucura um pouco mais em linha reta. Enquanto lavo a louça, penso em minha existência, tiro conclusões mirabolantes, idéias inusitadas. Tudo enquanto lavo a louça. Em silêncio. Sempre.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Auto-retrato do avesso.
Definitivamente Rembrandt foi o pintor que mais fez auto-retratos. No total, mais de 100. O que me leva a pensar que ele devia ser MUITO egocêntrico. Ou somente achava que mais ninguém valia tanto a ponto de ser pintado/desenhado, pois falta de modelos não era (ele sempre tinha encomendas).
Isso me fez olhar para meu próprio umbigo. Há muito tempo que penso em fazer o auto-retrato mais maravilhoso do mundo. Planejo-o há pelo menos um ano, mas tenho medo de o concretizar. Provável eu fazer algum tipo de pacto como o Dorian Gray do Oscar Wilde. Seria interessante viver a vida nas premissas de Bukowski e manter a virtude do Dorian Gray. Só não seria muito praticável pelo fato de eu não gostar muito de beber (se bem que de uns tempos pra cá...). Só também, pois a parte das prostitutas e tal não tenho muitos problemas (menos "A Puta de 165 Quilos"..essa eu passo).
Quem me conhece sabe que eu sempre digo que nasci no ano errado. Antes eu dizia que devia ter vivido nos anos 1940 ou 1950..e agora estou até regredindo mais no tempo, culpa da Jane Austen. Mas tudo me leva a crer que não, que tudo está como deveria estar, que tudo é como deveria ser. A personagem Pangloss, de Voltaire (que ensinava a
metafísico-teólogo-cosmolonigologia) diz que "está demonstrado que as coisas não podem ser de outra maneira: pois, tendo tudo sido feito com um fim, tudo existe necessariamente para o melhor fim. Observem que os narizes foram feitos para segurar óculos, de maneira que temos óculos...tudo está o melhor possível".
Tá, devo admitir que essa história de tudo está o melhor possível é muito classe média-alta. É muito fácil falar que tudo está como deveria estar quando se está escrevendo um texto em seu notebook no conforto de sua casa, fazendo um frio desgraçado lá fora, ou no seu castelo, pra ser mais preciso, com o livro Cândido de Voltaire no colo. Mas em se tratando de meu mundinho, tudo está como deveria estar. Por exemplo, me formo finalmente ano que vem, e estou me borrando, como é de se esperar de minha pessoa. Meus auto-diagnósticos continuam, principalmente em noites que bebo demais (ou ao lavar louça [próximo post]), tendo a dar diagnósticos mais honestos e mais precisos sobre todos. Meu consumisto extremo de artigos de cultura útil e eventualmente inútil continua. Sim, definitivamente tudo está como deveria estar.
Mas mais ainda, continuo a temer meu auto-retrato não realizado. Temo também o espelho, esse desgraçado me mostra mais do que eu gostaria. Pois, se não fosse o espelho me mostrando a mim mesma, eu seria quem eu gostaria de ser. E isso não é no plano das idéias não, eu realmente tento viver uma pessoa diferente por dia, e se ninguém notou isso ainda, é pq devo ser muito boa atriz.
Me senti o Woody Allen agora, passar de comédia pra drama de repente. Só que até mesmo o Woody sempre quis escrever drama (ele lia Tchékov também, minha gente). Mas até o drama tem sua pontada de comédia, pode ser que de tanta dureza, existe a necessidade de se rir um pouco.
Então, apesar da chuva, ria. Muito.
Isso me fez olhar para meu próprio umbigo. Há muito tempo que penso em fazer o auto-retrato mais maravilhoso do mundo. Planejo-o há pelo menos um ano, mas tenho medo de o concretizar. Provável eu fazer algum tipo de pacto como o Dorian Gray do Oscar Wilde. Seria interessante viver a vida nas premissas de Bukowski e manter a virtude do Dorian Gray. Só não seria muito praticável pelo fato de eu não gostar muito de beber (se bem que de uns tempos pra cá...). Só também, pois a parte das prostitutas e tal não tenho muitos problemas (menos "A Puta de 165 Quilos"..essa eu passo).
Quem me conhece sabe que eu sempre digo que nasci no ano errado. Antes eu dizia que devia ter vivido nos anos 1940 ou 1950..e agora estou até regredindo mais no tempo, culpa da Jane Austen. Mas tudo me leva a crer que não, que tudo está como deveria estar, que tudo é como deveria ser. A personagem Pangloss, de Voltaire (que ensinava a
metafísico-teólogo-cosmolonigologia) diz que "está demonstrado que as coisas não podem ser de outra maneira: pois, tendo tudo sido feito com um fim, tudo existe necessariamente para o melhor fim. Observem que os narizes foram feitos para segurar óculos, de maneira que temos óculos...tudo está o melhor possível".
Tá, devo admitir que essa história de tudo está o melhor possível é muito classe média-alta. É muito fácil falar que tudo está como deveria estar quando se está escrevendo um texto em seu notebook no conforto de sua casa, fazendo um frio desgraçado lá fora, ou no seu castelo, pra ser mais preciso, com o livro Cândido de Voltaire no colo. Mas em se tratando de meu mundinho, tudo está como deveria estar. Por exemplo, me formo finalmente ano que vem, e estou me borrando, como é de se esperar de minha pessoa. Meus auto-diagnósticos continuam, principalmente em noites que bebo demais (ou ao lavar louça [próximo post]), tendo a dar diagnósticos mais honestos e mais precisos sobre todos. Meu consumisto extremo de artigos de cultura útil e eventualmente inútil continua. Sim, definitivamente tudo está como deveria estar.
Mas mais ainda, continuo a temer meu auto-retrato não realizado. Temo também o espelho, esse desgraçado me mostra mais do que eu gostaria. Pois, se não fosse o espelho me mostrando a mim mesma, eu seria quem eu gostaria de ser. E isso não é no plano das idéias não, eu realmente tento viver uma pessoa diferente por dia, e se ninguém notou isso ainda, é pq devo ser muito boa atriz.
Me senti o Woody Allen agora, passar de comédia pra drama de repente. Só que até mesmo o Woody sempre quis escrever drama (ele lia Tchékov também, minha gente). Mas até o drama tem sua pontada de comédia, pode ser que de tanta dureza, existe a necessidade de se rir um pouco.
Então, apesar da chuva, ria. Muito.
Assinar:
Comentários (Atom)